Augosto dos Anjos

(20 April 1884 - 12 November 1914 / Pau d'Arco)

Noturno (Augusto dos Anjos) - Poem by Augosto dos Anjos

Chove. Lá fora os lampiões escuros
Semelham monjas a morrer... Os ventos,

Desencadeados, vão bater, violentos,

De encontro ás torres e de encontro aos muros.


Saio de casa. Os passos mal seguros

Trêmulo movo, mas meus movimentos

Susto, diante do vulto dos conventos,

Negro, ameaçando os séculos futuros!


De São Francisco no plangente bronze

Em badaladas compassadas onze

Horas soaram... Surge agora a Lua.


E eu sonho erguer-me aos páramos etéreos

Enquanto a chuva cai nos cemitérios

E o vento apaga os lampiões da rua!

Listen to this poem:

Comments about Noturno (Augusto dos Anjos) by Augosto dos Anjos

There is no comment submitted by members..



Read this poem in other languages

This poem has not been translated into any other language yet.

I would like to translate this poem »

word flags

What do you think this poem is about?



Poem Submitted: Tuesday, June 5, 2012



[Report Error]