Casimiro de Abreu

(4 January 1839 – 18 October 1860 / Barra de São João)

Bálsamo - Poem by Casimiro de Abreu

Eu vi-a lacrimosa sobre as pedras
Rojar-se essa mulher que a dor ferira!
A morte lhe roubara dum só golpe
Marido e filho, encaneceu-lhe a fronte,
E deixou-a sozinha e desgrenhada
- Estátua da aflição aos pés dum túmulo! -
O esquálido coveiro p'ra dois corpos
Ergueu a mesma enxada, e nessa noite
A mesma cova os teve!
E a mãe chorava,
E mais alto que o choro erguia as vozes!

No entanto o sacerdote - fronte branca
Pelo gelo dos anos - a seu lado
Tentava consolá-la
A mãe aflita
Sublime desse belo desespero
As vozes não lhe ouvia; a dor suprema
Toldava-lhe a razão no duro trance.

'Oh! padre! - disse a pobre s'estorcendo
Co'a voz cortada dos soluços d'alma -
'Onde o bálsamo, as falas d'esperança,
'O alívio à minha dor?!'
Grave e solene,
O padre não falou - mostrou-lhe o céu!

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Poem Submitted: Thursday, June 7, 2012



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