Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

Súplica - Poem by Antonio de Castro Alves

Senhor Deus, dá que a boca da inocência
Possa ao menos sorrir,
Como a flor da granada abrindo as pet'las
Da alvorada ao surgir.


Dá que um dedo de mãe aponte ao filho
O caminho dos céus,
E seus lábios derramem como pérolas
Dois nomes â€" filho e Deus.


Que a donzela não manche em leito impuro
A grinalda do amor.
Que a honra não se compre ao carniceiro
Que se chama senhor.


Dá que o brio não cortem como o cardo
Filho do coração.
Nem o chicote acorde o pobre escravo
A cada aspiração.


Insultam e desprezam da velhice
A coroa de cãs.
Ante os olhos do irmão em prostitutas
Transformam-se as irmãs.


A esposa é bela... Um dia o pobre escravo
Solitário acordou;
E o ví­cio quebra e ri do nó perpétuo
Que a mão de Deus atou.


Do abismo em pego, de desonra em crime
Rola o mí­sero a sós.
Da lei sangrento o braço rasga as ví­sceras
Como o abutre feroz.


Vê!... A inocência, o amor, o brio, a honra,
E o velho no balcão.
Do berço í sepultura a infí¢mia escrita...
Senhor Deus! compaixão!...

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Poem Submitted: Wednesday, June 6, 2012

Poem Edited: Wednesday, June 6, 2012


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