Catulo da Paixão Cearense

(8 October 1863 - 10 May 1917 / São Luís do Maranhão)

A Lagoa - Poem by Catulo da Paixão Cearense

Tu não tá vendo a lagoa
aquela lagoa mansa
que parece uma criança
que tá dormindo, a sonhá?

As águas tá tão serena
que a mode que a biriba
caiu do ceu, lá de riba
prá todo mundo espiá.

Mas, porém, óia, arrepara,
que basta só um beijinho
um leve suspirozinho
do vento que não se vê,
prá aquela lagoa imensa
tão serena e assocegada
ficá toda arrepiada
com as água toda a tremê!...

Pode ser uma bestera
mas porem é uma verdade
aqueilo que vou dizê:
vai caminhando... caminha...

Quando tu chegá na bera
daquela mansa rebera
espia, que tu verá
a cara de tua cara
lá no fundo a te espiá!

Que seja bunita ou feia,
tua cara, que parece
a cara da lua cheia
tá lá... num sai do lugá.
Fica ispiando prá cara
que a cara fica a te oiá

Mas, caminha, vai-te embora
que eu juro pru São Jerome
que a tua cara se assome
que nem fica sombra inté!
Aquilo que fez cuntigo
ispiando o teu semblante
faz cum outro caminhante
o primeiro que vinhé.
Apois, aquela lagoa
é o coração das muié...

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Poem Submitted: Thursday, June 7, 2012



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