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Cordel do Beirute(1966/2005) by Gustavo Dourado

10/11/2008 6:44:00 AM
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Gustavo Dourado
(05/18/1960 / Recife dos Cardosos-Ibititá(Irecê) - Chapada Diamantina/Rio São Francisco-Bahia-Brasil)
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Cordel do Beirute(1966/2005)
 
  Cordel do Beirute(1966/2005)
Gustavo Dourado Amargedom...
www.gustavodourado.com.br



Fui ao Beirute sexta-feira
Desfilar na Passarela
Há muito tempo não ia
Àquela esquina tão bela
109 Sul... Brasília:
Para o mundo... uma janela...

Beirute Velho de Guerra
Famoso Bar...Restaurante...
Por lá de tudo acontece
Espaço sempre instigante
Tem amor, arte e poesia
A galera é transmutante...

Salve Francisco e Bartô
Arquitetos do Beirute
Nosso Quartier Latin
Ouvi da boca de Rute:
Mãos à obra companheiro:
Resista...persita...lute...

É um espaço pluralista
Múltiplo e bem diverso
Ali rola quase tudo
Bate-papo, prosa e verso
Lá se fala de política
E dos mistérios do Universo...

O Beirute é nossa esquina
Tradição brasiliense
Teve origem libanesa
Tem tempero cearense
Arte: caldo de cultura:
Luz e magia circense...

Lá acontece performance
Intervenção e debate...
Protesto...comemoração
Transcendência e embate
No Beirute se desnuda...
O Coração: bate e rebate...

O cardápio é variado
Comida árabe da boa
Bom papo e boa prosa
Troca-se idéia à-toa...
Bebe-se cerveja e pinga
Se conversa e se faz loa...

Nos tempos da Ditadura
Houve grande repressão
A Polícia comandava
No Planalto da Nação
'Bota a mão na cabeça
Encosta cara no chão'...

O pessoal da UnB
No Beirute é freqüente
Estudantes, professores,
Gente fina, boa gente...
Cassiano...Vladimir
Por ali sempre presente...

Fernando Fonseca e Tuca
O Poeta Amargedom...
As gatas na passarela
Poesia e pouco som...
Aldo, Nonato e Ita:
Liga Tripa deu o Tom...

Zé da Mata...Zé Pereira
J. Pingo...Vanderlei
Glauber Rocha e Rosário
Lila, Eu, Tina e Delei...
Renato Matos e o Russo
Na passarela: Dancei...

Duboc, Márcio, Carrapa...
Lúcia, Plínio e Zilnei
Mari, Edir e Cláudio
Carlos, César e Sirlei
O Beirute fecha às duas..
Esta sempre foi a lei...

Zé Augusto, Zeca, Toni
Anand e Edmilson
João de Deus e Estuqui
Celso, Cesário, Nilson
Zé Galinha e Kakalo
Moema, Ludi e Tennysson...

Padim Ciço abençoa
O Beirute a cada dia
Encontros e desencontros
Tristeza e alegria
Intimismo, extroversão
Muito amor, arte e poesia...

Outro dia lá passei
Dei de cara com a Nara
Chico, Frank, e o Fino
Teresa, Alfredo e Mara
Revi Martas e Marias
Josés, Franciscos e Lias
E livrei a minha cara...

Vi punks, darks, cults
Velhos hippyes de outora
Vi muita gente mudada
Em yuppies do agora
Quem espera sempre alcança
E quem sabe faz a hora...

Vi Beth, Flávia, Ivan,
Carla, Carlos e Quinal,
Marcílio, Paulão e Jane
Beijo Livre no local
Vi Carmen e Donizetti
Até encontrei Goretti
Depois de tanto Carnaval...

Marcílio reencontrei,
Ezzo, Pires e Joana,
Tânia, Simone e Diego
Uma mina americana
Vi Carlinhos e Ricardo
Indo pra uma festa cigana...


Por lá vi o Ednardo
E o mano Caetano
Vi Alceu e Melodia
Cantar as asas do Plano
Vi Lúcio Costa e Lula
E a mãe do Zé Baiano...

Tanta gente no Beirute
A mente me faz recordar
Chico Expedito, João Antônio
João Bahiano, Paulo Tovar...
A Geração Mimeógrafo
Por lá soube desfilar...

Na mesa da Diretoria
Vi os Águias do Beirute
Tuca, Grego e Memé
Cíntia, Célia, Dirce, Rute
Sidão, Cazuza e Fernanda
Márcio - Márcia... que desfrute...

Recanto da boemia
Reduto intelectual
Dizem que é gayrute
De beijo bem natural
Lá censura não tem vez
O contexto é surreal...

Antes de 1966:
Era o Bar do Abraão
Depois com os Youssef
Deus-se a Iniciação
Assim nasceu o Beirute
No Planalto da Nação...

Os Sarkis iniciaram
O Beirute sem igual
Maaraoui e Kaawai
O pontapé inicial
16/04/1966:
Deus-se o ato inaugural...

O Beirute foi vendido
A José Jorge Cauhy
Os donos anteriores
Ficaram perto dali
Castelinho - Arabeske
Logo acima, era ali...

Ano de 68
Na época de Honestino
Férias de Manoel Careca
Entra em cena o destino
O cearense Bartô...
Um garçon muito ladino...

Nascido lá em Ipu...
Botafoguense da gema
O Bartô foi convidado
E aceitou sem problema
Depois veio o Francisco:
Nosso Chico - Um emblema...

Chico veio lá do Rio
E trouxe um bom dinheiro
Aluísio aqui estava
Era quase um pioneiro
Uniram-se a Bartolomeu
Em negócio alvissareiro...

Cauhy dono do Beirute
Também tinha o Stalo
Restaurante de sucesso
Que estava no embalo
Pôs o Beirute à venda:
Sei o preço mais não falo...

Pelo nosso bom Beirute
Um carioca interessou
Houve uma negociação
Não deu certo e minguou
Chico e Bartô compraram:
O fato assim se passou...

25/12/1970
Era dia de Natal
O negócio foi fechado
Para alegria geral
Chico e Bartô herdaram:
Uma dívida monumental...

Os clientes se mobilizaram
Para o Beirute ajudar
Grande apoio aos garçons
Fez o barco navegar
O movimento se ampliou:
Pode-se à dívida se pagar...

Brasília... Anos 70...
Repressão Policial...
A Ditadura Civil - Militar
Oprime nossa Capital
É um tempo obscuro
No País do Carnaval...

Surgem os Anos 80
Ressaca e transformação
Anistia aos exilados
Trouxe mais inspiração
O Beirute foi trincheira
De nossa mobilização...

Comida árabe-nordestina
Universal...De primeira...
É quibe de todo tipo
Logo tomo a dianteira
Grão de bico e salada
E a famosa saideira...

Kibe Naye...Malfuf...
Húmus e Kibe Ballê...
Baba Ganouj...Tabule...
Marshi Kussa...Mexuê
Muitas outras iguarias:
Mais o Kibe Mashuê...

No Beirute tem Sarjeta
Lá na Entrada Principal
Quem me quer lá na esquina
Beijo Livre ao natural...
Da Ribalta ao Camarote:
O Beirute é sem igual...

Pelo interior da Quadra
Adentra-se à Ribalta
Pela Entrada Lúcio Costa
Ouve-se um som de flauta...
Ecos do Efeito Lamarca:
Manga no telhado salta...

O Beirute é dial ético...
Metafísico - Surreal...
Místico e Esotérico
Alquímico - Transcendental
É Poético e Cabalístico:
Astrológico - Teatral...

O Beirute é referência...
Gastronômica, cultural...
Nosso Spazio Pirandello
Um Antonio`s mais legal
Como se fosse um Savoy:
Frevo, Choro e Carnaval...

Rememoro Zé Pereira
Na linha glauberiana
Vanderlei com sua Transe
E sua verve baiana
Nunca me esquecerei
Do beijos de Adriana...

No Beirute fiz amigos
Naveguei no Universo...
Atuei na performática
Na alquimia do reverso
Namorei...Fiz recital
Escrevi em prosa e verso...

Lá fiz muita amizade
Gringa, Rui e Cassiano
Jorge, Bira, Capadócia
Moema se não me engano
Tony Pessoa e Zequinha
Carlinhos, Vino e Mariano...

Encontrei com o Adelmo
Kim, Jonatra e Renato
Zé Luiz...Jô Oliveira
O Chiquinho vi no ato
Santos no bate ponto
E um artista caricato...

Já não vejo Luiz Carlos
Marilene não mais vi
Márcia não mais encontro
Cláudio anda por aí
A Maria sempre vejo:
Pois está perto daqui...

Cicero, Chico, Manoel
Luís, Raimundo e Santino
Uns ainda estão por lá
Outros em novo destino
Adauto, Neto e João
Conheci desde menino...

Alencar, Costa e José
Atendiam com nobreza
Antônio bem camarada
Com alegria, singeleza...
Foram tantos os garçons
Que serviam com destreza...

Me lembro de muita gente
Alguns vou relacionar
Outros ficam só na alma
Escrevo em outro lugar
Se de alguém... esqueci
É favor me desculpar...

Grego, Sobral, Evaristo,
Emanoel e Fafão
Vlado, Dudu e Trajano
Cid, Parada e Tostão
Quinal, Zé e Papagaio
Pica-pau e Macarrão...

Graúna, Bola, Floresta...
Cezinha, Pedro, Chicão
Frank, Zeca e Toninho
Cesário, Celso, Rubão
Noélia, Estuqui e Tibana
Mira, Nick, Jô, Paulão...

Amâncio e José Edson
Zé Augusto e Edgar
Jane, Téti e Remi
Romi meiga no olhar
Carmens, Celsos e Teresas
Aqui venho registrar...

Edmilson e Anand
Argemiro e Eduardo
Tantos Josés e Marias
Vem à mente do bardo
Jurema, Marisas, Táti
Heloísas e Leonardo...

Da Kombi da Alegria
Nunca posso esquecer
João, Fernando e Chico
Caverna a espairecer
Rubinho, Paulão, Polanski
Fernanda a nos dar prazer...

Vi o Magu Cartabranca
Na origem do Sepultura
Timm Martins com o seu Bamm...
Musicante à ternura
Toninho de Souza a colorir:
Cosmos em miniatura...

Renato Matos compôs
Um telefone é muito pouco
Renato Russo se inspirou
No Faroeste Caboclo
E eu fiz o meu Repente
De xote, xaxado e coco...

Gontijo dramatemático
A navegar com Eudoro
Para além do Limite
Serpenteio o Ouroboro...
Glauber em Terra em Transe
No cinema me demoro...

Beto, Érika e Afonso
Tempos de transformação
Delei e Lila Excultura
Nelson na transmutação
Zé Nobre com Aderaldo
Zé Limeira...ebulição...

Joanfi com a Irone
Ivan com a Cristiana
Kléber com a Cristina
Pingo com a Mariana...
De repente até encontro
A minha amiga Silvana...

Vi Fontele e o Paulo...
Muita gente encontrei..
Kim Andrade com Rovira
Vi até fora da lei
Muita gente gente boa
E de outros que não sei...

No Beirute me informo
Lá na Rádio Corredor
Onde é que rola festa?
-Na casa de Salvador
No Park Way, no Lago Sul?
-Ariosto...Sim, senhor..


Poetas e jornalistas
Ilustram o nosso bar
Márcio Araújo, Zé Cascão
Maria, Ariosto e Oscar
Cid, Cláudia e Seabra
Rosário, Ana e Omar...

É muita gente na noite
O Beirute é passarela
A mente é refratária
E a poesia prima bela
No Beirute se escreve
Pinta o 7: Ele ou Ela...

O Beirute é uma Avenida
De Brasília mágica esquina
Arco-íris que encanta...
No raio da silibrina...
Aqui se faz a catarse
Que a poesia nos destina...


Gustavo Dourado. Bahiano de Recife dos Cardosos-Ibititá (Irecê) -Chapada Diamantina, Gustavo Dourado(Amargedom) .No DF há 29 anos atua/atuou nos movimentos poéticos, ecológicos, populares, estudantis(UnB) , socioculturais. www.gustavodourado.com.br www.gustavodourado.ebooknet.com.br

Gustavo Dourado


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