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Cordel do Beirute(1966/2005) Gustavo Dourado Amargedom... www.gustavodourado.com.br
Fui ao Beirute sexta-feira Desfilar na Passarela Há muito tempo não ia Àquela esquina tão bela 109 Sul... Brasília: Para o mundo... uma janela...
Beirute Velho de Guerra Famoso Bar...Restaurante... Por lá de tudo acontece Espaço sempre instigante Tem amor, arte e poesia A galera é transmutante...
Salve Francisco e Bartô Arquitetos do Beirute Nosso Quartier Latin Ouvi da boca de Rute: Mãos à obra companheiro: Resista...persita...lute...
É um espaço pluralista Múltiplo e bem diverso Ali rola quase tudo Bate-papo, prosa e verso Lá se fala de política E dos mistérios do Universo...
O Beirute é nossa esquina Tradição brasiliense Teve origem libanesa Tem tempero cearense Arte: caldo de cultura: Luz e magia circense...
Lá acontece performance Intervenção e debate... Protesto...comemoração Transcendência e embate No Beirute se desnuda... O Coração: bate e rebate...
O cardápio é variado Comida árabe da boa Bom papo e boa prosa Troca-se idéia à-toa... Bebe-se cerveja e pinga Se conversa e se faz loa...
Nos tempos da Ditadura Houve grande repressão A Polícia comandava No Planalto da Nação 'Bota a mão na cabeça Encosta cara no chão'...
O pessoal da UnB No Beirute é freqüente Estudantes, professores, Gente fina, boa gente... Cassiano...Vladimir Por ali sempre presente...
Fernando Fonseca e Tuca O Poeta Amargedom... As gatas na passarela Poesia e pouco som... Aldo, Nonato e Ita: Liga Tripa deu o Tom...
Zé da Mata...Zé Pereira J. Pingo...Vanderlei Glauber Rocha e Rosário Lila, Eu, Tina e Delei... Renato Matos e o Russo Na passarela: Dancei...
Duboc, Márcio, Carrapa... Lúcia, Plínio e Zilnei Mari, Edir e Cláudio Carlos, César e Sirlei O Beirute fecha às duas.. Esta sempre foi a lei...
Zé Augusto, Zeca, Toni Anand e Edmilson João de Deus e Estuqui Celso, Cesário, Nilson Zé Galinha e Kakalo Moema, Ludi e Tennysson...
Padim Ciço abençoa O Beirute a cada dia Encontros e desencontros Tristeza e alegria Intimismo, extroversão Muito amor, arte e poesia...
Outro dia lá passei Dei de cara com a Nara Chico, Frank, e o Fino Teresa, Alfredo e Mara Revi Martas e Marias Josés, Franciscos e Lias E livrei a minha cara...
Vi punks, darks, cults Velhos hippyes de outora Vi muita gente mudada Em yuppies do agora Quem espera sempre alcança E quem sabe faz a hora...
Vi Beth, Flávia, Ivan, Carla, Carlos e Quinal, Marcílio, Paulão e Jane Beijo Livre no local Vi Carmen e Donizetti Até encontrei Goretti Depois de tanto Carnaval...
Marcílio reencontrei, Ezzo, Pires e Joana, Tânia, Simone e Diego Uma mina americana Vi Carlinhos e Ricardo Indo pra uma festa cigana...
Por lá vi o Ednardo E o mano Caetano Vi Alceu e Melodia Cantar as asas do Plano Vi Lúcio Costa e Lula E a mãe do Zé Baiano...
Tanta gente no Beirute A mente me faz recordar Chico Expedito, João Antônio João Bahiano, Paulo Tovar... A Geração Mimeógrafo Por lá soube desfilar...
Na mesa da Diretoria Vi os Águias do Beirute Tuca, Grego e Memé Cíntia, Célia, Dirce, Rute Sidão, Cazuza e Fernanda Márcio - Márcia... que desfrute...
Recanto da boemia Reduto intelectual Dizem que é gayrute De beijo bem natural Lá censura não tem vez O contexto é surreal...
Antes de 1966: Era o Bar do Abraão Depois com os Youssef Deus-se a Iniciação Assim nasceu o Beirute No Planalto da Nação...
Os Sarkis iniciaram O Beirute sem igual Maaraoui e Kaawai O pontapé inicial 16/04/1966: Deus-se o ato inaugural...
O Beirute foi vendido A José Jorge Cauhy Os donos anteriores Ficaram perto dali Castelinho - Arabeske Logo acima, era ali...
Ano de 68 Na época de Honestino Férias de Manoel Careca Entra em cena o destino O cearense Bartô... Um garçon muito ladino...
Nascido lá em Ipu... Botafoguense da gema O Bartô foi convidado E aceitou sem problema Depois veio o Francisco: Nosso Chico - Um emblema...
Chico veio lá do Rio E trouxe um bom dinheiro Aluísio aqui estava Era quase um pioneiro Uniram-se a Bartolomeu Em negócio alvissareiro...
Cauhy dono do Beirute Também tinha o Stalo Restaurante de sucesso Que estava no embalo Pôs o Beirute à venda: Sei o preço mais não falo...
Pelo nosso bom Beirute Um carioca interessou Houve uma negociação Não deu certo e minguou Chico e Bartô compraram: O fato assim se passou...
25/12/1970 Era dia de Natal O negócio foi fechado Para alegria geral Chico e Bartô herdaram: Uma dívida monumental...
Os clientes se mobilizaram Para o Beirute ajudar Grande apoio aos garçons Fez o barco navegar O movimento se ampliou: Pode-se à dívida se pagar...
Brasília... Anos 70... Repressão Policial... A Ditadura Civil - Militar Oprime nossa Capital É um tempo obscuro No País do Carnaval...
Surgem os Anos 80 Ressaca e transformação Anistia aos exilados Trouxe mais inspiração O Beirute foi trincheira De nossa mobilização...
Comida árabe-nordestina Universal...De primeira... É quibe de todo tipo Logo tomo a dianteira Grão de bico e salada E a famosa saideira...
Kibe Naye...Malfuf... Húmus e Kibe Ballê... Baba Ganouj...Tabule... Marshi Kussa...Mexuê Muitas outras iguarias: Mais o Kibe Mashuê...
No Beirute tem Sarjeta Lá na Entrada Principal Quem me quer lá na esquina Beijo Livre ao natural... Da Ribalta ao Camarote: O Beirute é sem igual...
Pelo interior da Quadra Adentra-se à Ribalta Pela Entrada Lúcio Costa Ouve-se um som de flauta... Ecos do Efeito Lamarca: Manga no telhado salta...
O Beirute é dial ético... Metafísico - Surreal... Místico e Esotérico Alquímico - Transcendental É Poético e Cabalístico: Astrológico - Teatral...
O Beirute é referência... Gastronômica, cultural... Nosso Spazio Pirandello Um Antonio`s mais legal Como se fosse um Savoy: Frevo, Choro e Carnaval...
Rememoro Zé Pereira Na linha glauberiana Vanderlei com sua Transe E sua verve baiana Nunca me esquecerei Do beijos de Adriana...
No Beirute fiz amigos Naveguei no Universo... Atuei na performática Na alquimia do reverso Namorei...Fiz recital Escrevi em prosa e verso...
Lá fiz muita amizade Gringa, Rui e Cassiano Jorge, Bira, Capadócia Moema se não me engano Tony Pessoa e Zequinha Carlinhos, Vino e Mariano...
Encontrei com o Adelmo Kim, Jonatra e Renato Zé Luiz...Jô Oliveira O Chiquinho vi no ato Santos no bate ponto E um artista caricato...
Já não vejo Luiz Carlos Marilene não mais vi Márcia não mais encontro Cláudio anda por aí A Maria sempre vejo: Pois está perto daqui...
Cicero, Chico, Manoel Luís, Raimundo e Santino Uns ainda estão por lá Outros em novo destino Adauto, Neto e João Conheci desde menino...
Alencar, Costa e José Atendiam com nobreza Antônio bem camarada Com alegria, singeleza... Foram tantos os garçons Que serviam com destreza...
Me lembro de muita gente Alguns vou relacionar Outros ficam só na alma Escrevo em outro lugar Se de alguém... esqueci É favor me desculpar...
Grego, Sobral, Evaristo, Emanoel e Fafão Vlado, Dudu e Trajano Cid, Parada e Tostão Quinal, Zé e Papagaio Pica-pau e Macarrão...
Graúna, Bola, Floresta... Cezinha, Pedro, Chicão Frank, Zeca e Toninho Cesário, Celso, Rubão Noélia, Estuqui e Tibana Mira, Nick, Jô, Paulão...
Amâncio e José Edson Zé Augusto e Edgar Jane, Téti e Remi Romi meiga no olhar Carmens, Celsos e Teresas Aqui venho registrar...
Edmilson e Anand Argemiro e Eduardo Tantos Josés e Marias Vem à mente do bardo Jurema, Marisas, Táti Heloísas e Leonardo...
Da Kombi da Alegria Nunca posso esquecer João, Fernando e Chico Caverna a espairecer Rubinho, Paulão, Polanski Fernanda a nos dar prazer...
Vi o Magu Cartabranca Na origem do Sepultura Timm Martins com o seu Bamm... Musicante à ternura Toninho de Souza a colorir: Cosmos em miniatura...
Renato Matos compôs Um telefone é muito pouco Renato Russo se inspirou No Faroeste Caboclo E eu fiz o meu Repente De xote, xaxado e coco...
Gontijo dramatemático A navegar com Eudoro Para além do Limite Serpenteio o Ouroboro... Glauber em Terra em Transe No cinema me demoro...
Beto, Érika e Afonso Tempos de transformação Delei e Lila Excultura Nelson na transmutação Zé Nobre com Aderaldo Zé Limeira...ebulição...
Joanfi com a Irone Ivan com a Cristiana Kléber com a Cristina Pingo com a Mariana... De repente até encontro A minha amiga Silvana...
Vi Fontele e o Paulo... Muita gente encontrei.. Kim Andrade com Rovira Vi até fora da lei Muita gente gente boa E de outros que não sei...
No Beirute me informo Lá na Rádio Corredor Onde é que rola festa? -Na casa de Salvador No Park Way, no Lago Sul? -Ariosto...Sim, senhor..
Poetas e jornalistas Ilustram o nosso bar Márcio Araújo, Zé Cascão Maria, Ariosto e Oscar Cid, Cláudia e Seabra Rosário, Ana e Omar...
É muita gente na noite O Beirute é passarela A mente é refratária E a poesia prima bela No Beirute se escreve Pinta o 7: Ele ou Ela...
O Beirute é uma Avenida De Brasília mágica esquina Arco-íris que encanta... No raio da silibrina... Aqui se faz a catarse Que a poesia nos destina...
Gustavo Dourado. Bahiano de Recife dos Cardosos-Ibititá (Irecê) -Chapada Diamantina, Gustavo Dourado(Amargedom) .No DF há 29 anos atua/atuou nos movimentos poéticos, ecológicos, populares, estudantis(UnB) , socioculturais. www.gustavodourado.com.br www.gustavodourado.ebooknet.com.br
Gustavo Dourado
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