(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

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A cestinha de costura

NíƒO Quero panteons não quero mármores
Não sonho a Eternidade fria, escura...
Minha glória ideal é o quente abrigo
De uma pequena cesta de costura.


í€ sombra dos terraços florescentes
Entorna a violeta a essência pura:
Flores d'alma recendem mais fragrí¢ncia
Numa pequena cesta de costura.


Batida pelos corvos da procela,
A pomba a era tí­mida procura:
Pousa minh'alma foragida as asas
Nesta pequena cesta de costura.


Astros que amais a espuma das cascatas!...
Orvalhos que adorais do lí­rio a alvura!
Dizei se há menos lí¢nguidos arminhos
Nesta pequena cesta de costura.


Nesse ninho de fitas e de rendas...
No perfume sutil da formosura...
Vão meus versos viver de aroma e risos
Entre as flores da cesta de costura.


E quando descuidada mergulhares
Esta mão pequenina, santa e pura,
Possam eles beijar teus ní­veos dedos
Escondidos na cesta de costura.

Submitted: Wednesday, June 06, 2012
Edited: Wednesday, June 06, 2012


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