Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

América - Poem by Antonio de Castro Alves

Acorda a pátria e vê que é pesadelo
O sonho da ignomí­nia que ela sonha!
Tomás Ribeiro
í€ Tépida sombra das matas gigantes,
Da América ardente nos pampas do Sul,
Ao canto dos ventos nas palmas brilhantes,
í€ luz transparente de um céu todo azul,


A filha das matas â€" cabocla morena â€"
Se inclina indolente sonhando talvez!
A fronte nos Andes reclina serena.
E o Atlí¢ntico humilde se estende a seus pés.


As brisas dos cerros ainda lhe ondulam
Nas plumas vermelhas do arco de avós,
Lembrando o passado seus seios pululam,
Se a onça ligeira boliu nos cipós.


São vagas lembranças de um tempo que teve!...
Palpita-lhe o seio por sob uma cruz.
E em cisma doirada â€" qual garça de neve â€"
Sua alma revolve-se em ondas de luz.


Embalam-lhe os sonhos, na tarde saudosa,
Os cheiros agrestes do vasto sertão,
E a triste araponga que geme chorosa
E a voz dos tropeiros em terna canção.


Se o gênio da noite no espaço flutua
Que negros mistérios a selva contém!
Se a ilha de prata, se a pálida lua
Clareia o levante, que amores não tem!


Parece que os astros são anjos pendidos
Das frouxas neblinas da abóbada azul,
Que miram, que adoram ardentes, perdidos,
A filha morena dos pampas do Sul.


Se aponta a alvorada por entre as cascatas,
Que estrelas no orvalho que a noite verteu!
As flores são aves que pousam nas matas,
As aves são flores que voam no céu!

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Poem Submitted: Wednesday, June 6, 2012

Poem Edited: Wednesday, June 6, 2012


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