Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

Cansaço - Poem by Antonio de Castro Alves

O Níufrago nadou por longas horas...
Na praia dorme frio num desmaio.
A força após a luta abandonou-o,
Do sol queimou-lhe a face ardente raio.


Pois eu sou como o nauta... Após a luta
Meu amor dorme lí¢nguido no peito.
Cansado... talvez morto, dorme e dorme
Da indiferença no gelado leito.


Sobre as asas velozes a andorinha
Maneira se lançou nos puros ares...
Veio após o tufão... lutou debalde,
Mas em breve boiou por sobre os mares.


Eu sou como a andorinha... Ergui meu ví´o
Sobre as asas gentis da fantasia.
A descrença nublou-me o céu da vida...
E a crença estrebuchou numa agonia.


Como as flores de estufa que emurchecem
Lembrando o céu azul do seu paí­s,
Minha alma vai morrendo, suspirando
Por seus perdidos sonhos tão gentis.


E que durma ... E que durma ... ó virgem santa,
Que criou sempre pura a fantasia,
Só a ti é que eu quero que te sentes
Ao meu lado na última agonia.

Listen to this poem:

Comments about Cansaço by Antonio de Castro Alves

There is no comment submitted by members..



Read this poem in other languages

This poem has not been translated into any other language yet.

I would like to translate this poem »

word flags

What do you think this poem is about?



Poem Submitted: Wednesday, June 6, 2012



[Report Error]