Carlos Aragao (10-17-1959 / Brazil)
Flor de lis
A flor se encheu de pavor,
Perdida entre mundos e estações,
Completamente só...
Vivendo e florescendo somente por um dia...
Nasceu num dia incerto,
Sempre com a surpresa do amanhecer,
Sempre perdida entre um calor ameno,
Um sol incerto... Um eterno querer.
Vivia e revivia,
Entre poemas Djavanescos,
Entre margaridas que não nasceram,
Entre sonhos burlescos.
Era pedra, era flor...
Era milagre,
Era puro amor...
Nascia e morria ao mesmo tempo,
Sorvia solenemente sol e vento,
Sua existência era um milagre gentil,
Uma sede eterna, inspirada em Gil.
Tenho sede me dizia,
Tenho ânsias de viver...
Vou brilhar enquanto possa...
Mas já vem o entardecer.
Tive sorte me contava,
Entre morrer e renascer,
Mas tenho sede meu amor,
E já chega o entardecer...
Olha me, perdas a razão...
Eu só existo por ti,
E te imploro teu perdão...
Porque amanha somos saudade,
Apenas ânsia de viver.
E já chega o entardecer...
Vivo e floresço por ti,
Apenas um dia, a cada ano.
E te tenho morrendo,
A cada entardecer.
Sedenta sigo,
Sedento segues,
Em nosso amanhecer
Mas tão curto e este dia...
E já chega o alvorecer.
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