Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

A mãe do cativo - Poem by Antonio de Castro Alves

Le Christ í Nazareth, atix jours de son enfance
Jouait avec Ia croix, symbole de sa mort;
Mí¨re du Polonais! qu'il apprene d'avance
A combattre et braver les outrages du Sort.

Qu'il couve dans son sein sa colí¨re et sa joie
Qu'il ses discours prudents distillent le venin,
Comme un aime obscur que son coeur se reploie
í€ terre, í deux genoux, qu'il rampe comme un nain

(Mickiewicz - A Mãe Polaca)


í" mãe do cativo! que alegre balanças
A rede que ataste nos galhos da selva!
Melhor tu farias se í pobre criança
Cavasses a cova por baixo da relva.


í" mãe do cativo! que fias í noite
As roupas do filho na choça da palha!
Melhor tu farias se ao pobre pequeno
Tecesses o pano da branca mortalha.


Misérrima! E ensinas ao triste menino
Que existem virtudes e crimes no mundo
E ensinas ao filho que seja brioso,
Que evite dos ví­cios o abismo profundo ...


E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas,
O raio da espr'ança... Cruel ironia!
E ao pássaro mandas voar no infinito,
Enquanto que o prende cadeia sombria! ...



II


í" Mãe! não despertes est'alma que dorme,
Com o verbo sublime do Mártir da Cruz!
O pobre que rola no abismo sem termo
Pra qu'há de sondá-lo... Que morra sem luz.


Não vês no futuro seu negro fadário,
í" cega divina que cegas de amor?!
Ensina a teu filho - desonra, misérias,
A vida nos crimes - a morte na dor.


Que seja covarde... que marche encurvado...
Que de homem se torne sombrio reptí­l.
Nem core de pejo, nem trema de raiva
Se a face lhe cortam com o látego vil.


Arranca-o do leito... seu corpo habitue-se
Ao frio das noites, aos raios do sol.
Na vida - só cabe-lhe a tanga rasgada!
Na morte - só cabe-lhe o roto lençol.


Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se
Bem como a serpente por baixo da chã
Que impávido veja seus pais desonrados,
Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.


Ensina-lhe as dores de um fero trabalho...
Trabalho que pagam com pútrido pão.
Depois que os amigos açoite no tronco...
Depois que adormeça co'o sono de um cão.


Criança - não trema dos transes de um mártir!
Mancebo - não sonhe delí­rios de amor!
Marido - que a esposa conduza sorrindo
Ao leito devasso do próprio senhor! ...


São estes os cantos que deves na terra
Ao mí­sero escravo somente ensinar.
í" Mãe que balanças a rede selvagem
Que ataste nos troncos do vasto palmar.



III


í" Mãe do cativo, que fias í noite
í€ luz da candeia na choça de palha!
Embala teu filho com essas cantigas...
Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.

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Poem Submitted: Wednesday, June 6, 2012



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