Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

Antítese - Poem by Antonio de Castro Alves

O seu prêmio? â€" O desprezo e
uma carta de alforria quando tens
gastas as forças e não pode mais
ganhar a subsistência.
Maciel Pinheiro


Cintila a festa nas salas!
Das serpentinas de prata
Jorram luzes em cascata
Sobre sedas e rubins.
Soa a orquestra ... Como silfos
Na valsa os pares perpassam,
Sobre as flores, que se enlaçam
Dos tapetes nos coxins.


Entanto a névoa da noite
No átrio, na vasta rua,
Como um sudário flutua
Nos ombros da solidão.
E as ventanias errantes,
Pelos ermos perpassando,
Vão se ocultar soluçando
Nos antros da escuridão.


Tudo é deserto. . . somente
í€ praça em meio se agita
Dúbia forma que palpita,
Se estorce em rouco estertor.


â€" Espécie de cão sem dono
Desprezado na agonia,
Larva da noite sombria,
Mescla de trevas e horror.


í‰ ele o escravo maldito,
O velho desamparado,
Bem como o cedro lascado,
Bem como o cedro no chão.
Tem por leito de agonias
As lájeas do pavimento,
E como único lamento
Passa rugindo o tufão.


Chorai, orvalhos da noite,
Soluçai, ventos errantes.
Astros da noite brilhantes
Sede os cí­rios do infeliz!
Que o cadáver insepulto,
Nas praças abandonado,
í‰ um verbo de luz, um brado
Que a liberdade prediz.

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Poem Submitted: Wednesday, June 6, 2012

Poem Edited: Wednesday, June 6, 2012


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