Dos fumos da distância,
Etéreos e azulados,
Surge, vertiginoso,
Um resplendor de chama.
Há fogueiras queimando
Os longes ensombrados;
Dir-se-á que o nosso olhar tudo o que toca inflama.
Abrasa todo o espaço
Um fogo de delírio;
Ao apagar-se, é pedra,
É homem e arvoredo.
Vejo um clarão, no Azul,
Que, em ermo outeiro, é lírio.
Vejo um raio tomar as formas dum penedo.
Vejo o incêndio de tudo;
E sinto o grande sol
Crepitar no meu sangue,
Arder dentro de mim;
Fulgir num tronco em flor,
Na voz do rouxinol,
Derramar-se, na terra, em lágrimas sem fim.
Concentro-me na luz;
Subo na claridade
Que a imagem deste mundo
Aos outros mundos leva;
E vejo bem que desço
A uma profundidade,
Quando meu ser alaga a inundação da treva.
A noite é a tua lira,
Apolo, que emudece.
O dia é o som divino
E puro que ela exala.
Ouvindo-o, na planície,
O trigo amadurece;
O lírio ri, na aurora; à tarde, a água fala.
Tenho um sentido astral,
Que sabe distinguir
Tua alegre canção
De mística harmonia.
Meu sonho era poder,
Em versos, traduzir
Teu cântico de luz que os mundos extasia.
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