Mário Cesariny de Vasconcelos


DE PROFUNDIS AMAMUS - Poem by Mário Cesariny de Vasconcelos

Ontem às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
é há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso


Comments about DE PROFUNDIS AMAMUS by Mário Cesariny de Vasconcelos

There is no comment submitted by members..



Read this poem in other languages

This poem has not been translated into any other language yet.

I would like to translate this poem »

word flags

What do you think this poem is about?



Poem Submitted: Saturday, April 7, 2018



Famous Poems

  1. Still I Rise
    Maya Angelou
  2. The Road Not Taken
    Robert Frost
  3. If You Forget Me
    Pablo Neruda
  4. Dreams
    Langston Hughes
  5. Annabel Lee
    Edgar Allan Poe
  6. If
    Rudyard Kipling
  7. Stopping By Woods On A Snowy Evening
    Robert Frost
  8. Do Not Stand At My Grave And Weep
    Mary Elizabeth Frye
  9. I Do Not Love You Except Because I Love You
    Pablo Neruda
  10. Television
    Roald Dahl
[Report Error]