Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

Durante um temporal - Poem by Antonio de Castro Alves

Vai Funda a tempestade no infinito,
Ruge o ciclone túmido e feroz...
Uiva a jaula dos tigres da procela
â€" Eu sonho tua voz â€"


Cruzam as nuvens refulgentes, negras,
Na mão do vento em desgrenhados elos...
Eu vejo sobre a seda do corpete
Teus lúbricos cabelos ...


Do relí¢mpago a luz rasga até o fundo
Os abismos intérminos do ar...
Eu sondo o firmamento de tua alma,
í€ luz de teu olhar ...


Sobre o peito das vagas arquejantes
Borrifa a espuma em ósculos o espaço...
Eu â€" penso ver arfando, alvinitentes,
As rendas no regaço.


A terra treme... As folhas descaí­das
Rangem ao choque rijo do granizo
Como acalenta um coração aflito,
Como é bom teu sorriso,....


Que importa o vendaval, a noite, os euros,
Os trovíµes predizendo o cataclismo...
Se em ti pensando some-se o universo
E em ti somente eu cismo...


Tu és a minha vida ... o ar que aspiro ...
Não há tormentas quando estás em calma.
Para mim só há raios em teus olhos,
Procelas em tua alma!


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Poem Submitted: Wednesday, June 6, 2012

Poem Edited: Wednesday, June 6, 2012


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