ELEGIA FINAL Poem by Teixeira de Pascoaes

ELEGIA FINAL

Trabalhei quanto pude a minha dor
- Negro bloco marmóreo que me pesa
E me inunda de gélido suor.

Impus ao bruto mármore a beleza.
Minhas lágrimas de água amargurada
Suavizaram-lhe a trágica dureza.

E, ao ver a minha angústia alevantada
Numa estátua perfeita, ao sol bendito,
Toquei-lhe! Estava inerte e congelada!

Choro dentro de mim! Soluço e grito!
Sou neste livro palidez, quebranto.
A dor tão viva no meu ser aflito
É como cinza morta neste canto.

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