Do meu encontro vivo com as cousas
Humildes da Natura, nascem almas,
Aparições divinas,
Que, abstractas, me contemplam, não sei donde,
Não sei de que lugar desconhecido
E fora deste espaço em que aparecem
As árvores e os penedos.
Vejo espectros, imagens do Mistério,
Quiméricas figuras,
Perfis de lume impressos no crepúsculo,
Como sinais de agoiro. . .
Perfis de palidez alvorecendo ao longe,
E tristezas que são retratos esvaídos,
De ignotas Divindades. . .
Estátuas do silêncio e da melancolia,
Na solidão dos montes. . .
Atitudes da Esfinge no deserto,
A sombra das Pirâmides ao sol,
E Platão arrastando a túnica de luz,
Entre os padres do Egipto, hieráticos e tristes,
Vestidos de poeira e de penumbras mortas,
Nos templos de luar e empedernidas nuvens. . .
Vejo, diante de mim, quiméricas presenças,
Horizontes de sonho que me cingem
Num doloroso abraço! Escuras aves
Que me pousam na fronte anoitecida,
E ventos que me levam através
De névoas e relâmpagos. . .
E, já perdido e morto, não sou mais
Que uma aparência humana,
Boiando sobre as ondas da emoção
Que brotam, cá de dentro, como sangue
Duma ferida aberta. . .
E vou à flor das ondas que se espraiam
Em litorais de neve e branca espuma,
Em distâncias azuis de claridade infinda,
E no vago nocturno em que as estrelas
Afloram, como risos do demónio. . .
Flutuo num sonho aéreo,
Em alturas de místico esplendor,
Onde abre o lírio branco do luar.
Flutuo num sonho aéreo, em que me vejo
Um ser indefinido. . . A noite imensa,
Que estende sobre mim as negras asas,
Não me pode esconder. A minha face,
Erguida para além da escuridão,
Contempla a Luz divina./pre>
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