Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

Estrofes do solitário - Poem by Antonio de Castro Alves

Basta de covardia! A hora soa...
Voz ignota e fatí­dica revoa,
Que vem... Donde? De Deus.
A nova geração rompe da terra,
E, qual Minerva armada para a guerra,
Pega a espada... olha os céus.


Sim, de longe, das raias do futuro,
Parte um grito, pra â€" os homens surdo, obscuro
Mas para - os moços, não!
í‰ que, em meio das lutas da cidade,
Não ouvis o clarim da Eternidade,
Que troa n'amplidão!


Quando as praias se ocultam na neblina,
E como a garça, abrindo a asa latina,
Corre a barca no mar,
Se então sem freios se despenha o norte,
í‰ impossí­vel â€" parar... volver â€" é morte
Só lhe resta marchar.


E o povo é como - a barca em plenas vagas,
A tirania - é o tremedal das plagas,
O porvir - a amplidão.
Homens! Esta lufada que rebenta
í‰ o furor da mais lí´brega tormenta. .
- Ruge a revolução.


E vós cruzais os braços... Covardia!
E murmurais com fera hipocrisia:
â€" í‰ preciso esperar...
Esperar? Mas o quê? Que a populaça,
Este vento que os tronos despedaça,
Venha abismos cavar?


Ou quereis, como o sátrapa arrogante,
Que o porvir, n'ante-sala, espere o instante
Em que o deixeis subir?!
Oh! parai a avalanche, o sol, os ventos,
O oceano, o condor, os elementos...
Porém nunca o porvir!


Meu Deus! Da negra lenda que se inscreve
Co'o sangue de um Luí­s, no chão da Grí¨ve,
Não resta mais um som!...
Em vão nos deste, pra maior lembrança,
Do mundo - a Europa, mas d'Europa - a França.
Mas da França - um Bourbon!


Desvario das frontes coroadas!
Na página das púrpuras rasgadas
Ninguém mais estudou!
E no sulco do tempo, embalde dorme
A cabeça dos reis - semente enorme
Que a multidão plantou! ...


No entanto fora belo nesta idade
Desfraldar o estandarte da igualdade,
De Byron ser o irmão...
E pródigo - a esta Grécia brasileira,
Legar no testamento - uma bandeira,
E ao mundo - uma nação.


Soltar ao vento a inspiração de Graco
Envolver-se no manto de 'Spartaco,
Dos servos entre a grei;
Lincoln - o Lázaro acordar de novo,
E da tumba da ignomí­nia erguer um povo,
Fazer de um verme - um rei!


Depois morrer - que a vida está completa,
- Rei ou tribuno, César ou poeta,
Que mais quereis depois?
Basta escutar, do fundo lá da cova,
Dançar em vossa lousa a raça nova
Libertada por vós ...

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Poem Submitted: Wednesday, June 6, 2012



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