Nada na natureza tem nome.
Como se de um jardim botânico
sem indicações precisas - em latim de preferência - se tratasse.
Lineu rir-se-ia da minha ignorância feliz -
deste conhecimento que complacente
se diverte no seu desconhecimento.
Formas, cores, a ebriedade dos cheiros,
a insensata vertigem sensitiva de um bosque,
a atmosfera vegetal de uma estufa,
as flores como sexos - são sexos? - abertos
onde perante visitas mergulho.
Atónitos ficariam se soubessem que nada na natureza -
é "natureza" este voluptuoso jogo
de se desconhecer? - tem nome. Tudo é orgânico recorte
que o herbário não contém, desequilíbrio,
sonho do indecifrável que lento se putrefaz
perante a virtuosa ignorância classificatória
em mim se animando.
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