FOR ANIMALS Poem by Luís Quintais

FOR ANIMALS



For animals eternal Treblinka



Está repleta de martírio a memória que me deram.
A mãe levava-me pela mão. O perímetro sacrificial era já ali. O som das aves
antecipando o fim, os gorjeios inocentes, a emudecida violência das carcaças expostas,
as vísceras, o fedor das vísceras gritando. Fúria e som esgotavam-se em podridões. Em
certos ângulos do perímetro bancas clamavam verdade e comércio. Copiosas, as carnes
esfoladas surgiam suspensas em metálicos ganchos. Penas e plumas encharcadas
pejavam o chão. Uma ave decapitada abraçava o mundo. Em certos pontos do perímetro
estreitos canais expulsavam o sangue para um sítio que me pareceu distante, tão distante
quanto um país distante.
A gutural agonia apagava-se. Fechavam-se as cortinas para a tranquila refeição
do meio-dia.

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