fosse eu bola numerada
na roda do totoloto
fazendo saltos mortais
e dançando
um rápido fox-trot
que ao anúncio de saída
atenção à bola tal
nunca em toda a eternidade
vai sair a minha bola.
e fujo ali da fidelidade
essa hemorróida persistente
de quem insiste no meu número
para escapar da miséria.
e segue as bolas pelo vidro
como à nevasca branquinha
da janela.
e enquanto gira a minha tômbola
enquanto gira sem parar
apetece-me até ao marasmo
tornar-me a minha irmã de chumbo.
e expelir-me da roda
vestida de prata -
livre!
e alguém fascinado
esconde-me no coração
e veste-me por cima de vermelho.
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