Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

Horas de saudade - Poem by Antonio de Castro Alves

Tudo vem me lembrar que tu fugiste,
Tudo que me rodeia de ti fala.
Inda a almofada, em que pousaste a fronte
O teu perfume predileto exala


No piano saudoso, í tua espera,
Dormem sono de morte as harmonias.
E a valsa entreaberta mostra a frase
A doce frase qu'inda há pouco lias.


As horas passam longas, sonolentas...
Desce a tarde no carro vaporoso...
D'Ave-Maria o sino, que soluça,
í‰ por ti que soluça mais queixoso.


E não Vens te sentar perto, bem perto
Nem derramas ao vento da tardinha,
A caçoula de notas rutilantes
Que tua alma entornava sobre a minha.


E, quando uma tristeza irresistí­vel
Mais fundo cava-me um abismo n'alma,
Como a harpa de Davi teu riso santo
Meu acerbo sofrer já não acalma.


í‰ que tudo me lembra que fugiste.
Tudo que me rodeia de ti fala...
Como o cristal da essência do oriente
Mesmo vazio a sí¢ndalo trescala.


No ramo curvo o ninho abandonado
Relembra o pipilar do passarinho.
Foi-se a festa de amores e de afagos...
Eras â€" ave do céu... minh'alma â€" o ninho!


Por onde trilhas â€" um perfume expande-se.
Há ritmo e cadência no teu passo!
í‰s como a estrela, que transpondo as sombras,
Deixa um rastro de luz no azul do espaço ...

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Poem Submitted: Wednesday, June 6, 2012



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