Alphonsus de Guimaraens

(24 July 1870 - 15 July 1921 / Mariana)

Últimos versos - Poem by Alphonsus de Guimaraens

Na tristeza do céu, na tristeza do mar,
eu vi a lua cintilar.
Como seguia tranquilamente
por entre nuvens divinais!
Seguia tranquilamente
como se fora a minh'Alma

silente,
calma,
cheia de ais.
A abóboda celeste,
que se reveste
de astros tão belos,
era um país repleto de castelos.
E a alva lua, formosa castelã,
seguia
envolta num sudário alvíssimo de lã,
como se fosse
a mais que pura Virgem Maria…
Lua serena, tão suave e doce,
do meu eterno cismar,
anda dentro de ti a mágoa imensa
do meu olhar!
Vaga dentro de ti a minha crença,
ai! toda a minha fé,
como as nuvens de incenso que vagueiam
por entre as aras de uma Sé…
Como as nuvens de incenso que coleiam
e fogem rapidamente
até o teto das catedrais,
dentro de ti, numa espiral silente,
vão gemendo os meus ais.
Mais uma vez a mágoa imensa
do teu clarão,
veio, tremendo na onda clara e densa,
até meu coração.
E pude ver-te, contemplar-te pude,
como a imagem da virtude
e da pureza,
cheia de luz,
como Santa Teresa
de Jesus!


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Poem Submitted: Friday, June 1, 2012

Poem Edited: Friday, June 1, 2012


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