O DESTINO DAS ROUPAS Poem by Rui Lage

O DESTINO DAS ROUPAS

No cesto da roupa suja
de qualquer quarto do mundo
uma mãe saberia reconhecê-las.

Suportaram as investidas do tempo,
as agressões do lixo,
os estragos do primeiro amor
os rasgos da primeira contenda,
as nódoas da fruta,
os espinhos da rosa,
a rosa do amor,

o vómito amargo de sábado à noite,
o sangue do amigo no carro desfeito.

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