"O mundo é a minha representação."
Que tipo de imagem
eclode na mente
quando, de noite, um cão uiva,
como se a sua carne
não fosse carne da sua carne,
mas um véu espesso
que cobre a dor
e a torna mais intensa?
Uma janela abre-se de par em par,
e eu persigo os sulcos e a ira
desse cão mirífico,
desse cão que existe algures
para lá do ver.
A noite que ignorei torna-se visível,
mas não a ira, a ira absoluta do cão,
ainda que os meus olhos
ceguem numa exasperante vontade
de luz.
...
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