O rapaz de cabelo verde era eu, em finais de setenta,
a fugir por entre silvas e valados, quando a turba
dos chacais acometia as minhas pernas de pardal,
e só de bicicleta me tirava eu de apuros, pois
as pedras, os apupos, as polés insistiam em mostrar-me
elementos capitais de filosofia política.
Pedalava sobre lágrimas, de volta para os braços
do meu sangue, trepava para o muro do quintal
e de lá esconjurava os assassinos: filhos de uma puta!
Anos depois — que alegria já não ser o mais
cobarde, ser a mão que traz o pau, a bofetada;
e rir entre os iguais, no renque dos ungidos:
o primeiro cigarro, o exame dos colhões — que sorte
ver as lágrimas cair e não serem as minhas.
...
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