Antonio de Castro Alves

(14 March 1847 – 6 July 1871 / Curralinho)

Um Raio De Luar - Poem by Antonio de Castro Alves

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Alta noite ele ergueu-se. Hirto, solene.
Pegou na mão da moça. Olhou-a fito...
Que fundo olhar!
Ela estava gelada, como a garça
Que a tormenta ensopou longe do ninho,
No largo mar.
Tomou-a no regaço... assim no manto
Apanha a mãe a criancinha loura,
Tenra a dormir.
Apartou-lhe os cabelos sobre a testa...
Pálida e fria... Era talvez a morte...
Mas a sorrir.
Pendeu-lhe sobre os lábios. Como treme
No sono asa de pombo, assim tremia-lhe
O ressonar.
E como o beija-flor dentro do ovo,
Ia-lhe o coração no níveo seio
A titilar.
Morta não era! Enquanto um rir convulso
Contraíra as feições do homem silente — Riso fatal.
Dir-se-ia que antes a quisera rija,
Inteiriçada pela mão da noite
Hirta, glacial!
Um momento de bruços sobre o abismo,
Ele, embalando-a, sobre o rio negro
Mais s'inclinou...
Nesse instante o luar bateu-lhe em cheio,
E um riso à flor dos lábios da criança À flux boiou!
Qual o murzelo do penhasco à borda
Empina-se e cravando as ferraduras
Morde o escarcéu;
Um calafrio percorreu-lhe os músculos...
O vulto recuou!... A noite em meio
Ia no céu!



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Poem Submitted: Thursday, June 7, 2012

Poem Edited: Thursday, June 7, 2012


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