Aves devoram o lixo.
Debatem-se sob o peso da gula
investindo ciladas, disposições
de onde se isenta a alma.
Flap, flap, flap, fazem asas
no negro plástico. Tu paras.
Por vontade alheia observas.
Por aforismos sagras
as razões dos que desesperam.
O que faz a poesia?
Remir e remir e remir
como as asas espancando
o negro plástico, flap, flap, flap.
Sagras as razões
dos que desesperam,
as implicações disfóricas
da imaginação, o mundo
extinguindo-se como a luz
do quarto de infância,
o sumptuoso plástico espancado,
aquilo a que viraste costas
e que não teima existir.
O que faz a poesia?
Remir por certo tipo de palavras
certo tipo de coisas certo tipo
de asas flap flap flap certo tipo
de razões desesperadas.
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