Friday, December 21, 2018

UMA INOCÊNCIA Comments

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Aves devoram o lixo.
Debatem-se sob o peso da gula
investindo ciladas, disposições

de onde se isenta a alma.
Flap, flap, flap, fazem asas
no negro plástico. Tu paras.

Por vontade alheia observas.
Por aforismos sagras
as razões dos que desesperam.

O que faz a poesia?
Remir e remir e remir
como as asas espancando

o negro plástico, flap, flap, flap.
Sagras as razões
dos que desesperam,

as implicações disfóricas
da imaginação, o mundo
extinguindo-se como a luz

do quarto de infância,
o sumptuoso plástico espancado,
aquilo a que viraste costas

e que não teima existir.
O que faz a poesia?
Remir por certo tipo de palavras

certo tipo de coisas certo tipo
de asas flap flap flap certo tipo
de razões desesperadas.
...
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Luís Quintais
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