O dia surge com a fúria do ouro Poem by Márcio- André

O dia surge com a fúria do ouro

o dia surge com a fúria do ouro
e ante ele
antenas conspiram a revolução
no seu entendimento de antenas

nascer e morrer já não é grande coisa -
sobra aguardar dos ligamentos o câncer
no tempo do tempo que resta

esta música de pedra:
esse eu
que habita um corpo
é menos que corpo

e recusa a ser feliz nesta cidade
e envelhece sem jamais ter sido jovem

ainda que as antenas sustentem elegâncias de inseto
contra a tarde

cardume metálico
no encardido das lajes

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Márcio- André

Márcio- André

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
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