Pacheco Poem by Julio 2 Amarante

Pacheco

Na perspetiva o falo tomava aspeto de Muai
Erguido a apontar com chapéu rosa cai, cai
Chapéu laranja nas marmeladas ruidosas
Nós beijos entre chupadas gulosas
Nas excitações sem extensas prosas
O mdma dá cá dá, rebola, dá a bala
E a fala diminui diminui e então se cala


E o Pacheco que só estremece aponta
Na palácio da sua prazeirosa sabedoria tonta,
Os lábios no choque dos neurónios a tremer.
Mais o tesão dela sentada a dar a mão e a ver.


Uma pausa para comer e beber
Sorrisos e piadas bem entremeadas
E lá voltamos, ó lá lá, lá voltamos a foder.
Nós os dois numa loucura e ela lá a ver.


Depois tudo fica indistinto numa onda de prazer
E ela recua deixa a mão e lá se põe a fazer,
Nós doidos fazer a bala, ela a guardar a porta
Ela era meu pilar e a coisa não saiu torta.


Outra aparecia mais e mesmo assim todavia,
Nunca na outra apostei como apostaria nela.
Aquela comigo na cama, essa pura nitroglicerina
Nunca via o que daria na cabeça dessa Nina.


Desculpem as donzelas que não venho a nomear,
As escolhas desta vida, difíceis de clarear, onde vão elas dar?
Desta trilogia de decrescente, gradativa confiança
Tudo se afinal inverteu, e deu naquilo que deu.


A granada ficou em casa, a do meio ficou feio
E aquela com personalidade, nega de maior respeito,
Hoje carrego no peito e sonho ainda um dia
Constituir sociedade de claros intuitos lucrativos
Passe a hipótese de pausar com uns fins recreativos.


Deflagrou a granada no meio do meu furacão
Eu que aqui continuo a preparar a Monção
Ai Ai que a bala faz falta na ponta da minha escala
Ui Ui que estou mais velho, Ei Ei que ainda serei
O que vai ser, nem o mar nem o poder,
Ai de que o puder ver, o que vai ser não sei!


(Entrementes vão caindo uns dentes
O Pacheco vai apontando indeciso por entre a gente
Como quem reza pelo mundo que, em silêncio, preza)

Pacheco
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