Copiando Dalton, fazia estórias violentas e secas, mas acabava faltando conteúdo.
Copiando Drummond, parecia que havia ali uma alma, mas não havia centelha alguma.
Copiando Leminski, eu me flagrava entediado e não achava graça dos gracejos.
Copiando Whitman, eu projetava prepotência e arrancava rumo ao espaço.
Copiando Yeats, eu lamentava não ter Maud Gonne e de não ter minha cabana e as fileiras de feijão,
Copiando João Cabral, eu maldizia meus próprios excessos.
Copiando Gullar, eu recriminava minha falta de consciência social.
Copiando Bukowski, eu anotava poemas nos versos das apostas, enquanto bebia cerveja vagabunda no mais precários dos bares.
Finalmente, quando eu me copiava na derradeira hora,
Eu libertava uma onda que empurraria o caos para a borda do vulcão.
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