guitarra
moto
carro
novinha
banda
abrir uma empresa
escrever um livro, o grande romance brasileiro
viajar para o Leste Europeu ou para New Orleans
ou simplesmente,
pagar o boleto,
pensar no filho,
andar no carro popular,
e esquecer as promessas grandes feitas para os pais.
crise dos quarenta,
pensando onde poderia ter chegado,
nos casos que não deram certo,
nas amizades desfeitas e distantes,
apenas uma memória reconfortante,
uma flâmula que orienta
essa rota em círculos.
e posso assim andar tanto como um peregrino,
lembrar a promoção que nunca houve,
remoer as vezes que perdi tudo, e recomecei,
e lembrei das mulheres vampirescas,
dos amigos canalhas,
de filhos da puta na chefia, cagando regras, drenando cada gota da alma e de consideração.
a barragem,
o litro de sangue,
o riso melífluo, a sombra cheia de pressão,
a cantoria de bardos toscos,
a alucinação transitória,
eu e meu perdão,
eu e minhas joias,
eu e a alucinação,
eu e a perda de Canterbury,
eu e a ilusão,
eu e a derrocada de Nápoles,
acreditando no pavimento,
fugindo para andares tão obscuros, quanto os códices,
quando o idioma acadiano,
quanto as pontas desta estrela de cobre, que gira em alta rotação na cozinha do hotel.
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